Após estudo científico realizado na unidade de saúde sobre deformidade conhecida por ‘pé equino’, ortopedistas do HUGO contribuem para a literatura médica mundial

O serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) teve mais um trabalho publicado no periódico Scientific Journal of the Foot & Ankle, revista de relevância mundial, quando se trata de pé e tornozelo. Com orientação do preceptor Jefferson Soares, os profissionais Rafael Bispo, Antônio Carlos Faloni, Rafael Nerys e Edegmar Nunes Costa realizaram uma pesquisa baseada na avaliação funcional e na qualidade de vida de pacientes que sofriam com pé equino – deformação do pé que fica constantemente estendido e se apoia apenas sobre os dedos, sem que o calcanhar toque o solo. Os resultados apontaram que o método cirúrgico propõe alinhamento adequado do membro e auxilia na melhora significativa da dor.

Tal veículo de comunicação científica seleciona as publicações baseando-se pela originalidade, relevância e contribuição para a ciência, o que denota a qualidade da formação técnica oferecida no HUGO. O estudo desenvolvido na instituição teve o objetivo de avaliar a funcionalidade do membro e a qualidade de vida de pacientes com pé equino rígido pós-traumático, após realização de procedimento cirúrgico com fixador externo (Ilizarov). Martins observa que “esses ferimentos têm graves lesões e riscos de complicações. Por isso, ultrapassamos os parâmetros da radiografia e esse foi o nosso diferencial: analisamos a qualidade de vida das vítimas”.

A pesquisa foi realizada no período de janeiro de 2015 a junho de 2018, com avaliação de seis pacientes que faziam consultas ambulatoriais de retorno médico. Nesse período, foi aplicado um questionário para avaliar o nível de funcionalidade do pé afetado. Considerando que os traumas atendidos no HUGO são de alta complexidade, o risco de amputação é iminente. Destaca-se, então, que a técnica, além de preservar o membro, reduziu índice de dor apresentado pelos participantes. Consequentemente, reflete de forma positiva na vida cotidiana dos pacientes acompanhados pela equipe.

Método e patologia

As patologias de pé equino podem ser congênitas, mas as atendidas no HUGO, em especial, são decorrentes de acidentes de trânsito. De acordo com a descrição da pesquisa realizada pelos profissionais, o método de Ilizarov é indicado para deformidades rígidas e graves, tais como as atendidas pela equipe. Esses casos recebem a indicação dessa técnica, pois apresentam condições desfavoráveis de pele, rigidez articular, encurtamento excessivo e perda da sensibilidade dos pés.

A contribuição para a literatura mundial deste trabalho revela-se pela ausência de dados quanto à avaliação da qualidade de vida pós-cirúrgica de pacientes com diagnóstico de pé equino rígido, o que dificulta a comparação de resultados com outros estudos. “É importante explorar esse assunto, pois o impacto da doença na família é muito grande. Frequentemente, o acidentado é o principal provedor de renda e ele fica impossibilitado de trabalhar. É um quadro preocupante e quanto mais contribuirmos para melhorar o atendimento, quem ganha é a população”, ressalta Jefferson Martins.