Com redução de contratos, hospital economiza valor referente a R$ 50 milhões por ano aos cofres públicos. Além disso, hospital obtém o alvará provisório dos Bombeiros, para, pela primeira vez na história da unidade de saúde, pleitear o alvará de funcionamento. Balanço foi divulgado pelo Instituto HAVER, na manhã de hoje (2)

Na manhã desta sexta-feira (2), o Instituto HAVER, Organização Social (OS) responsável pela administração do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO), desde o dia 27 de novembro de 2018, divulgou balanço de gestão referente a este período. Dados apresentados indicam que houve redução de 40% dos gastos, devido a repactuação de contratos, entre eles, o de lavanderia hospitalar e de engenharia clínica e predial, com contratos mensais que, anteriormente, superavam R$ 900 mil e R$ 760 mil, respectivamente. Na gestão atual, são pagos R$ 500 mil e R$ 455 mil pelos mesmos serviços. Outros números impactantes são os de economia de água, cujas contas mensais passaram de R$ 170 mil para R$ 97 mil, aproximadamente. Essas ações geram uma estimativa de economia referente a R$ 50 milhões por ano aos cofres públicos do estado.

Outras melhorias salientadas pelo superintendente técnico da OS, Mayler Olombrada, durante apresentação, referem-se à qualidade da assistência médica entregue à população. Durante os oito meses de gestão, o HUGO realizou quase 20 mil atendimentos de urgência, cerca de 25 mil consultas ambulatoriais, mais de 8.600 internações e aproximadamente 10.400 cirurgias. Ademais, o custo unitário de atendimento para cada paciente, apesar da complexidade, figura entre os mais baixos dos hospitais estaduais: R$ 700 reais, enquanto outras unidades chegam a superar R$ 1 mil, de acordo com dados divulgados pela Planisa – ferramenta digital de gestão usada pelo estado. Da mesma forma, o custo de rotatividade do Centro Cirúrgico do HUGO também contabiliza índices econômicos, mesmo com procedimentos de alta e média gravidade. Hospitais de Goiânia ultrapassam os R$ 4 mil por cirurgia, enquanto o HUGO não supera a barreira média de R$ 1 mil.

Apesar de todas essas reduções apresentadas, a qualidade do atendimento melhorou. O tempo médio de permanência em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) passou de 6 para 4,9 dias, enquanto a média de internação hospitalar caiu de 10 para 8,1 dias. Ainda assim, índices de taxas de infecção e mortalidade estão em constante queda. O reflexo na satisfação do paciente também pôde ser notado, por meio do crescente número de elogios entregues pelo próprio usuário do hospital. Para se ter uma ideia, entre os meses de abril e junho de 2018, a unidade registrou 93 elogios e 288 reclamações no Serviço de Relacionamento com o Usuário. Nesse mesmo período do ano vigente, 293 elogios e 98 reclamações foram contabilizados.

Além disso, o clima organizacional também está diferente e mudou para melhor. Um dos pontos que contribuiu para isso foi a recomposição do quadro de funcionários, com a disponibilização de 389 vagas de emprego, sendo que 196 delas foram geradas pela atual OS. Profissionais de diversas categorias foram contratados, entre eles, médicos, enfermeiros e técnicos, fisioterapeutas e nutricionistas.

Ações de humanização
Além da economicidade, Mayler Olombrada ressaltou a implantação de novas ações para levar humanização a pacientes e colaboradores. “Essas iniciativas fazem parte dos valores do Instituto HAVER. Fazemos uma gestão pautada pela ética, transparência e responsabilidade social. Dessa forma, conseguimos valorizar os colaboradores, o que, consequentemente, reflete na forma de tratar o paciente, que sai daqui alegre e satisfeito com o atendimento recebido”, observa o superintendente.

Entre outras ações desenvolvidas pela entidade, foram destacadas a compostagem do lixo orgânico como fator de responsabilidade socioambiental, bem como o reuso de sucatas e materiais da engenharia para produção de um equipamento que auxilia pacientes acamados a se sentarem nas camas, nomeado de Dasbell. Atividades com enfoques sociais também foram realizadas: estímulo a campanhas de doação de sangue, conscientização contra acidentes e violência do trânsito. “Nós precisamos tocar o paciente que chega aqui traumatizado. Para isso, proporcionamos o encontro com quem já superou uma amputação, por exemplo, e conseguiu virar um atleta, para motivar esses pacientes que estão aqui. Assim como realizamos um ensaio fotográfico com pacientes amputados, para auxiliar que eles não baixem a autoestima e consigam recuperar a alegria de viver e retomar a vida, seja ela profissional, social ou familiar e de maneira satisfatória”, pontua Olombrada.


“Proporcionamos ações para todos os públicos do hospital. Para o paciente acamado – que está longe da família em uma data festiva, a gente tenta comemorar junto com ele aqui dentro, como no Dia dos Avós, quando netos puderam entrar no hospital para visitar os idosos internados. Com isso, levamos um pouco de alegria em um momento de dificuldade e tanto sofrimento, ainda mais em um hospital de urgências, cuja internação pega toda a família de surpresa”, continua. Além disso, o superintendente ressaltou a Oficina de Pintura, visita lúdica de palhaços, grupos de oração e visita pet. “Nossas ações são pensadas para auxiliar no tratamento e extrair um sorriso de cada um que está dentro do hospital”, enaltece.

Elogios
O presidente do Instituto HAVER, Yuri Vasconcelos Pinheiro, reforçou a parceria entre as equipes e enalteceu a participação de cada um. “Nossa intenção aqui hoje é mostrar um pouco dos resultados que a gente conseguiu trazer ao HUGO e, de certa maneira, confirmar as propostas que foram colocadas no início da gestão. Para conseguirmos isso, o empenho dos colaboradores foi fundamental”, avaliou Pinheiro, enquanto se dirigia aos presentes.

Ao tomar a palavra, Ciro Ricardo Pires de Castro, diretor Clínico do HUGO, ressaltou o orgulho que tem em participar desse momento de transformação de gestão e motivacional da unidade. “Gostaria de testemunhar e agradecer a atenção que recebemos de todos da equipe HAVER, que aproveitou com inteligência o recurso humano já existente na instituição, bem como uniu forças no sentido de mostrar a realidade e a seriedade de administração para com o HUGO”, emociona-se. Para ele, o paciente é a razão de existir deste hospital. “Todos os nossos esforços são em razão de proporcionar um melhor atendimento à população goiana e eu tenho muito orgulho de ter podido contribuir com essas ações”, finaliza.

Ao encerrar a prestação de contas, Ricardo Furtado, diretor Geral do HUGO, emocionou-se e contagiou a todos que estavam no recinto. Furtado observou que essa foi a primeira vez na história do hospital que foi apresentado um balancete financeiro do que realmente acontece na gestão. “É emocionante porque a gente percebe o tamanho disso aqui”, referindo-se ao hospital. “Estou aqui há bastante tempo e me emociono todos os dias ao ver a história desse hospital, de tudo que a gente faz aqui dentro e de como a gente faz com o coração. É muito gratificante ver esses resultados, sabendo que a gente economizou, mas que as pessoas são mais bem tratadas e que os pacientes mais bem olhados”, finalizou.

Na outra ponta da assistência, Vandeir Gonçalves, 61 anos, está no HUGO há mais de 20 dias acompanhando o cunhado Valdivino Rosa, internado após atropelamento, em Joviânia. Ele fez questão de entregar um elogio manuscrito e ressaltou: Nunca imaginei entrar em um hospital público e ser atendido da forma com que fui aqui. O nome é HUGO, mas esse é um hospital de amor. Não consigo escolher um setor que se destaque, todos são maravilhosos! A atenção que recebi aqui, não consigo descrever, nem sei como agradecer. Eu estou encantado com o serviço! Encantado, avalia. Fernando Lopes é outro paciente vítima do trânsito. Ele é de Santa Catarina e, ao receber alta, fez questão de registrar um elogio. “Fiquei muito surpreso com o atendimento, não esperava. O pessoal está sempre com a cara boa. Os maqueiros e a enfermagem fazem a gente se sentir em casa. Fui muito bem atendido mesmo! O HUGO está no nível de hospital particular”, reforça.