Falta de diálogo familiar impacta no índice de recusas, que chega a 67% em Goiás

Na manhã desta quinta-feira (18), o Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) realiza nova captação de tecidos para transplantes. Após confirmação de morte encefálica e consentimento dos familiares de uma paciente de 43 anos, as córneas serão transplantadas em Goiás. Ontem (17), cinco órgãos e duas córneas de uma mulher de 24 anos foram doados e beneficiaram sete pessoas, em quatro estados diferentes. Coração, fígado e pâncreas foram encaminhados para o Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Um rim foi direcionado para o Pará, enquanto o outro foi liberado para transplante em Goiás, assim como as duas córneas.

Apesar do mês de setembro ser destinado para conscientização sobre a importância da doação de órgãos, este é um assunto que merece ser trabalhado ao longo do ano para que mais pessoas possam ser beneficiadas com este gesto de altruísmo”, pontua o diretor-geral do HUGO, Ricardo Furtado Mendonça. Durante o primeiro semestre do ano vigente, 32 órgãos foram captados no HUGO e contribuíram para salvar a vida de dezenas de pessoas.

De acordo com a legislação nacional, a doação de órgãos deve ser autorizada pela família. “A recusa ainda é alta aqui em Goiás, mas não podemos culpar as famílias. Como não temos o costume de conversar sobre a morte no dia a dia, os entes se veem obrigados a decidir sobre a doação de órgãos no momento mais doloroso para eles – imaginando o que o familiar gostaria que fosse feito. Por isso, é importante conversar sobre o assunto ainda em vida, para expressar o desejo”, explica a coordenadora de Captação de Órgãos e Tecidos da Central de Transplantes de Goiás, Katiúscia Freitas. De janeiro a junho, 126 famílias foram entrevistadas e 85 negaram a doação, índice que corresponde a 67%.

Segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em março, o Brasil contabilizava quase 34 mil pacientes ativos em fila de espera. Desse total, 269 são de Goiás. A espera por transplante renal lidera as estatísticas nacionais, com mais de 22 mil pessoas, seguida por córnea com quase 10 mil e fígado que apresentava 1 mil pacientes. Outros 433 aguardavam por transplante de pâncreas e rim, enquanto 228 esperavam por coração, 177 por pulmão e 25 por pâncreas. No estado, 203 pacientes estão na fila de espera para transplante de rim, 65 para córneas e 1 para fígado.