Arte no corredor

Humanização da assistência na saúde vai além do contato físico. Ambiente acolhedor também auxilia no tratamento

Um dos corredores do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) está diferente. Mais colorido, alegre e bonito. As cores, no entanto, não chegaram apenas com o intuito de trazer leveza a quem transita pela unidade de saúde, mas, também, para alertar, de forma contínua, sobre a importância de cuidar da própria saúde. Isso porque elas fazem alusão a campanhas trabalhadas em âmbito mundial: Maio Amarelo, Setembro Amarelo, Setembro Verde, Setembro Laranja, Outubro Rosa e Novembro Azul. Respectivamente, as ações abordam temas relevantes para a sociedade, como alerta e prevenção a acidentes de trânsito, prevenção ao suicídio, conscientização sobre a doação de órgãos, disseminação de práticas que aprimoram a segurança do paciente e a prevenção aos cânceres de mama, de colo do útero e de próstata.

A pintura teve o patrocínio da Clínica de Anestesia e foi realizada pelos artistas Nilander Duarte e Lu Ribeiro. O casal buscava uma forma de agradecer aos colaboradores do hospital, devido ao atendimento que Ribeiro recebeu, em 2015, após acidente motociclístico. Com múltiplas fraturas, foi admitida no HUGO e se lembra de um detalhe pouco convencional para quem não vive tal experiência. “Lembro-me muito do barulho da maca e de só conseguir olhar para cima. Não sabia em quais corredores passava, nem conseguia pegar um ponto de referência. Agora, com essa pintura, além de trazer mais beleza e conscientização para todos que estão aqui dentro, conseguimos uma atração para o paciente que está deitado na maca”, observa Lu Ribeiro.

Nilander Duarte, artista plástico que tomou frente das pinturas, ressaltou que foram dias difíceis aqueles vividos no HUGO, mas o sentimento de gratidão supera qualquer lembrança. “Por se tratar de um hospital de urgências, ninguém planeja vir para cá. E assim foi conosco. Quando a Lu sofreu o acidente e veio para cá, mudou a rotina da família inteira, mas o que encontramos da porta para dentro, não se paga. A equipe nos recebeu com muita calma e respeito. Passamos os dias aqui, cobertos de humanidade”, lembra o artista.

Para o diretor-geral da instituição, Ricardo Furtado, a arte tem sua importância no sentido de humanizar o ambiente, o que reflete no atendimento entregue aos pacientes. “Este hospital é referência em atendimentos de alta e média complexidades, por isso, precisamos ser pessoas com atitudes mais humanizadas para cuidar do próximo e a delicadeza da arte auxilia nesse processo”, observa. Além da humanização assistencial, Furtado alertou para questões da área técnica. “Temos que ficar atentos com questões ligadas à infecção hospitalar, mas a pintura no teto e nas paredes deste corredor não traz nenhum risco à saúde do paciente ou aos nossos colaboradores. Ao contrário, isso é uma forma de acolher, de prestar carinho e aconchego a quem enfrenta um momento difícil”, ressalta o gestor.